Diário Digital 5/5/2016

Duarte Nuno Braga desvenda a vida do navegador Duarte Pacheco Pereira

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«A Confissão do Navegador», de Duarte Nuno Braga, é uma das apostas da Presença. «A vida de Duarte Pacheco Pereira foi de tal forma grandiosa e apaixonante que, ao descrevê-la, fiquei várias vezes com uma vontade de saltar para dentro do manuscrito e privar com aquele grande navegador», refere o autor.

«Corre o ano de 1493. D. João II convida o navegador Duarte Pacheco Pereira a conhecer Cristóvão Colombo. Joga-se o destino de Portugal e do próprio Duarte Pacheco Pereira, incumbido de uma missão secreta que o leva aos confins do Atlântico. Neste empolgante romance histórico desvenda-se a figura pouco conhecida do navegador descrito por Camões como o «Aquiles lusitano». Do perigo dos mares ao calor da Índia e da batalha, somos levados para uma época envolta em segredos, conspirações e relações proibidas. A ambição de um reino muda a vida de um homem dividido numa busca espiritual entre a lealdade e o amor.»

 

Artigo Original
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=823901

Sic Notícias 5/5/2016

Duarte Pacheco Pereira – o herói esquecido

Duarte Pacheco Pereira – o herói esquecido
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Duarte Pacheco Pereira terá nascido em Lisboa, no ano de 1460. Era filho bastardo de João Pacheco e de Isabel Pereira, e tetraneto de D. Diogo Lopes Pacheco, um dos executores de Inês de Castro.

Estudos de historiadores da Universidade de Michigan revelam que Duarte Pacheco Pereira terá descoberto o Brasil em 1493. Sendo D. João II conhecido pela sua obsessão de ocultar informação politicamente sensível, sugere-se que somente vários anos após a assinatura do Tratado de Tordesilhas, a descoberta do Brasil terá sido oficialmente anunciada, atribuindo-se a proeza a Pedro Álvares Cabral. O tratado, assinado a 7 de Junho de 1494, contemplava que, se até ao dia 20 desse mês, fossem descobertas novas terras pelos navios castelhanos a mais de 250 léguas a oeste do meridiano de Cabo Verde, estas pertenceriam a Castela. Só depois desse período inicial, ficaria válida a regra das 370 léguas, de forma a incluir o território do Brasil – daí a necessidade de ocultar a sua existência.

Documentos relativos à viagem de Cabral referem um tripulante chamado Duarte Pacheco mas, provavelmente pelos mesmos motivos anteriores, ter-se-á decido encobrir a sua participação na viagem de 1500, uma vez que o próprio Duarte Pacheco Pereira foi uma das testemunhas que assinaram o Tratado de Tordesilhas. É de admitir, portanto, que o navegador-cosmógrafo terá acompanhado Cabral, uma vez que seria o único português com experiência comprovada naquela rota.

Segundo o mais importante biógrafo de Duarte Pacheco Pereira – o historiador Joaquim Barradas de Carvalho – o navegador português foi um génio comparável a Leonardo da Vinci. Com a antecipação de mais de dois séculos, Duarte Pacheco Pereira foi o responsável pelo cálculo do valor do grau de meridiano com uma margem de erro de apenas 4%. Foi ainda dos primeiros a utilizar a numeração árabe, que é usada actualmente, ao invés da numeração romana, corrente na época. O historiador opina que Duarte Pacheco Pereira foi das personalidades mais representativas do Renascimento Português: reflecte o universo da Idade Média, mas ao mesmo tempo projecta-se na modernidade.

A nau Espírito Santo, que capitaneou, foi efectivamente usada na sua viagem de Lisboa para Cochim. Contudo, no início de 1504, a mesma nau, dessa vez capitaneada por Pero d’ Ataíde, naufragou ao largo de Moçambique, quando regressava de Cochim, depois de se perder da armada que partira da Índia, em Janeiro desse ano.

Naubea, não sendo referenciada pelos historiadores, é protagonista de uma lenda portuguesa, sendo descrita por Gentil Marques em Lendas de Portugal como uma grande admiradora do navegador português, a quem rogou uma maldição que, pelo facto de Duarte Pacheco Pereira a ter rejeitado, o sujeitaria a uma vida de miséria, e se estenderia pelos seus descendentes das três gerações seguintes.

Após o regresso da Índia, em 1505, Duarte Pacheco Pereira encetou a escrita do livro Esmeraldo de Situ Orbis, no qual refere uma viagem secreta ao Brasil, a mando de D. Manuel I, realizada no ano de 1498. A obra, que só viria a ser publicada em 1892, nunca chegou a ser terminada.

Em 1508, D. Manuel I encarregou o navegador de capturar o corsário francês Mondragón, que actuava entre os Açores e a costa portuguesa, onde atacava as naus vindas da Índia. No ano seguinte, Duarte Pacheco Pereira capturou-o ao largo do cabo Finisterra.

Em 1512, casou com Antónia de Albuquerque, filha de Jorge Garcês, nomeado secretário de D. Manuel I, e neta de Duarte Galvão, que fora embaixador de D. João II, antes de se exilar em Castela.

Do seu casamento com Antónia, nasceram seis filhos e duas filhas. Recebeu de D. Manuel I um dote de 120.000 reais, que lhe foi pago em várias prestações, até ao ano de 1515.

Desconhece-se a verdadeira origem de Lisuarte, filho ilegítimo de Duarte Pacheco Pereira. O jovem terá morrido na Índia, em 1509, numa batalha contra os mouros.

Em 1519, D. Manuel I nomeou Duarte Pacheco Pereira Governador de São Jorge da Mina, na Guiné. Três anos depois, e a mando de D. João III, regressaria a Lisboa, acorrentado a ferros.

Os motivos para o seu encarceramento não são conhecidos com exactidão. O rei terá sido convencido, por conspiradores e invejosos, de que Duarte Pacheco Pereira teria contrabandeado ouro, enquanto Governador de São Jorge da Mina. Contrastando com essa teoria, e segundo a documentação, foi curiosamente durante a sua governação que se exportou a maior quantidade de ouro daquela região para o reino. O navegador viria a provar a sua inocência no ano seguinte, tendo depois sido libertado e auferido uma tensa compensatória de 50.000 reais por parte do rei.

Já sexagenário, e insatisfeito com as atitudes de D. João III, Duarte Pacheco Pereira terá chegado a manifestar desejo de servir o imperador Carlos V, algo que, contudo, nunca se concretizou.

Com ou sem a maldição de Naubea, a verdade é que em 1533, segundo relata o cronista Damião de Góis, o navegador português viria a morrer na miséria, deixando a sua família à beira da pobreza.

Estudos recentes de Andreia Martins de Carvalho e Pedro Pinto levam, no entanto, a crer que essa crónica poderá ser imprecisa, uma vez que existe documentação entretanto divulgada, que comprova que Duarte Pacheco Pereira tudo fez, para que após a sua morte, a família não passasse dificuldades económicas. Antónia de Albuquerque terá herdado uma tensa do falecido marido e era ainda rendeira de propriedades. Antónia viria a falecer no ano de 1565.

Sete anos depois, publicava-se pela primeira vez Os Lusíadas em que o poeta Luís Vaz de Camões perpetuava o nome de Duarte Pacheco Pereira, chamando-lhe grão Pacheco, Aquiles Lusitano:

 

«E canta como lá se embarcaria

Em Belém o remédio deste dano,

Sem saber o que em si ao mar traria,

O grão Pacheco, Aquiles Lusitano.

O peso sentirão, quando entraria,

O curvo lenho e o férvido Oceano,

Quando mais n’água os troncos que gemerem

Contra sua natureza se meterem.»

 

Imagem: Duarte Botelho

Já rimos como alguém se ri numa vida inteira

IMG_5555Não começou ontem. Foi noutra vida.
Mas nesta já dancei contigo ao sabor do vento.
Não te conheci ontem. Foi há muitas vidas.
Mas já rimos como alguém se ri numa vida inteira.
Não foi por balançarmos ontem, sempre sentimos o balanço.
Mas já sentimos a China balançar, mesmo à nossa beira.
O nosso coração não pula desde ontem. Sempre cantou uma canção.
Mas já temos tantas. Só nossas. Uma bênção.
As pontes não são de hoje. Sempre lá estiveram.
Mas se os ventos as levam, encontramo-las de novo.
Com a força de Deus, que se arrasta a um povo.
E tudo recomeça. Com o teu sorriso. Com o teu abraço.
Desde que nasce o dia, até ao seu cansaço.

in «Crónicas de um Amor por uma Princesa», Duarte Nuno Braga

Dois Dias

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Por que inventou Ele fins-de-semana de apenas dois dias? De ansiedade em ansiedade se constrói este amor e, quando dou por ela, já se transformou em calmaria, que nenhum vento derruba, nenhuma onda desapazigua, desnudando o teu corpo, envolto pela tua alma que se entrelaça na minha.
Perguntei-Lhe a razão de tal malvadez.
“Porquê somente dois dias?”
“Como assim, apenas dois dias?” – reagiu, incrédulo.
“O amor das vossas almas acontece todos os dias. Sonham um com o outro, sentem-se, fundem-se…”
“Então por que nos concedes os fins-de-semana?” – tentei compreender.
“Porque também preciso de descansar.” – e rimos os dois.

in «Crónicas de um Amor por uma Princesa»,  Duarte Nuno Braga
Imagem: newhdwallpapersin.com

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Não troco dois Paulo Coelho por um Harry Potter

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J. K. Rowling não me leve a mal, mas não posso arriscar. Primeiro, porque o fantástico está longe de ser o meu género literário de eleição, e depois porque não tenho espaço. O risco seria demasiado grande para uma futura troca.

Vivo num velho veleiro de 33 pés. Percorro o mundo à descoberta de histórias e, como lobo do mar, respeito a tradição.

Nas calmarias do oceano, leio contos, acrescento-lhes pontos e, de porto em porto, não mudam apenas as fragrâncias que os ventos sopram, nem as cores das águas cristalinas que me envolvem. Muda também a biblioteca. Os marujos, que muitos vezes não se conhecem, organizam uma candonga de final de tarde. Fazem trocas de livros empoeirados, de histórias que percorreram oceanos, de longas verdades e de curtas mentiras. E eu não fujo à regra. Tenho de escolher entre ler dois Paulo Coelho ou um Harry Potter, porque o espaço é muito limitado e o papel é pesado.

Numa noite mais escura, perguntaram-me se queria As Luzes de Leonor de páginas mil. Tive de recusar, pois em troca queriam três Mia Couto e o rádio de VHF.

Os livros pareciam aumentar de tamanho depois de cada volta ao mundo, como numa corrida de engordecimento. Ou seria o meu velho veleiro a encarquilhar?

Deixei o mar e regressei a terra. Percorri as livrarias. Secção Romance Histórico – o meu género de eleição. Percebi que não foi o meu fiel veleiro que encolheu. Foram os livros que se agigantaram. Podia ter ficado triste, mas conformei-me. Passo a carregar um livro a bordo de cada vez.

Além de marinheiro, sou candidato a escritor. Publiquei um microconto de quatro páginas, em formato e-book. Nem sequer posso trocar por outro livro. Antes de regressar ao mar, resta-me publicar o meu próprio romance. Com sorte e alguma dor, chegará para meio Equador.

No dia em que desliguei o cabo da TV

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Há vinte anos confesso que cheguei a ter uma televisão em cada divisão da casa. Não havia refeição que não tivesse o noticiário como som ambiente. Recordo-me de ficar estupefacto quando visitei uns amigos na Alemanha que deliberadamente não tinham sequer um televisor em casa. Com crianças pequenas, não compreendia como podiam ter um serão “normal” como todas as famílias “normais.” Curiosamente foram várias as noites que passei em casa deles e não me lembro de ter sentido falta da caixa mágica(?). Ouvir música, jogar jogos de tabuleiro ou simplesmente conversas intermináveis preencheram aquelas noites frias de uma forma marcante.
Os tempos de hoje mudaram e começaram a existir fortes concorrentes da TV como o DVD ou a internet e o número de televisões em casa lá se foi reduzindo a um único aparelho ainda com lugar de destaque na parede da sala. Várias vezes passava pelo sofá e instintivamente fazia um zapping. Ou dois, ou três sem qualquer interesse. Mas fazia. Como se fosse um vício, sem sabor, sem prazer, quase involuntário. Se somasse todas essas horas perdidas poderia ter passado muito mais tempo a brincar com os meus filhos ou ajudá-los nos seus trabalhos, ou simplesmente… A viver.
Mas havia algo bem pior, que fazia vezes sem fim de forma inconsciente. Usava a TV para controlar o meu filho de quatro anos. “Vê o filme do Peter Pan para eu te conseguir vestir. Assiste à Doutora Brinquedos para tomares o pequeno-almoço, e agora vamos assistir juntos à Cinderela para eu dormir um bocadinho”. O pequenote lá ia na cantiga e começava a ganhar a sua dose de habituação, de vício. Analisado a distância este cenário parece assustador. E é mesmo! Mas no dia-a-dia parecia tudo muito normal. Há cerca de um mês, numa mediação senti que tudo isto era muito errado. Acabámos por concluir que o nosso filho mais novo nunca pedia para ver televisão. Estava na altura de mudar alguma coisa. Chegou o dia. Ao jantar fizemos o anúncio:
– Os pais decidiram desligar a TV. É uma experiência por tempo indeterminado.
– Mas assim não vou conseguir ver a Violetta.
– E eu não posso ver o Gravity Falls .
O mais novo nem se apercebeu da conversa. Passaram-se dias sem ligar a televisão. Brincámos com Legos, jogos de cartas, de tabuleiro, sketchs de improviso, jogos de gestos, música e tantas outras coisas. Nunca nesses dias o pequenino pediu para ver televisão. Mas o mais inesperado estava para vir. A nossa filha de 10 anos contou às colegas da escola acerca dos nossos novos serões de família que responderam:
– Que boa ideia! Que sorte!

Que adultos estamos nós a formar? Que valores estamos a passar aos nosso filhos? Não há nada melhor para uma criança do que um pai e uma mãe que brinquem com ela. Sem o tablet ao lado. Sem o telemóvel. Simplesmente em conexão e total entrega.