Diário de Notícias 6/6/2016

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A Confissão do Navegador é a primeira experiência literária de Duarte Nuno Braga. A história da descoberta do Brasil por Duarte Pacheco Pereira.

É a primeira vez que Duarte Nuno Braga está numa Feira do Livro, mas também é a primeira vez que publica um romance. E logo com um tema que não é nada consensual, o da viagem marítima de Duarte Pacheco Pereira até ao Brasil, alegadamente realizada dois anos antes da de Pedro Álvares Cabral. Trata-se de um autor que vem da área das tecnologias, é licenciado em Engenharia Eletrotécnica, e que já está a escrever o segundo livro.

A Confissão do Navegador não relata apenas as peripécias de Pacheco Pereira até ao Brasil, mas toda a sua viagem até ao Oriente, designadamente o confronto militar em Calecute. Quando se pergunta ao autor se não foi uma aventura iniciar a carreira com um romance histórico que a História nega, Nuno Braga responde: “Os historiadores têm dificuldade em concretizar o que é oficial e não. Esta não é a versão que normalmente é dada nas escolas, mas cada vez vai sendo mais aceite e consensual de que “alguém” chegou ao Brasil antes de 1500.”

A partir do momento em que o tema Duarte Pacheco Pereira surgiu ao autor, este achou que era incontornável para um primeiro livro: “Queria escrever algo relacionado com os Descobrimentos porque estou ligado à náutica na minha vida pessoal. Quando vi que a História não tinha dado ao meu protagonista o real valor, ainda fiquei mais seduzido.” Além de que, explica, “as pessoas ficam curiosas quando refiro o navegador e querem saber se posso mesmo sustentar esta tese. O que não é difícil, visto que existem muitas provas documentais que tornam esta questão cada vez menos polémica.”

Entre os documentos, o destaque vai para o manuscrito Esmeraldo de situ orbis: “Uma prova cabal porque é o registo que Pacheco Pereira deixou, no qual dá indicação ao rei D. Manuel I de que fora descoberto o Brasil e com todas as informações geográficas do território, e que data de 1498.”

Se esse documento, que esteve escondido quase 400 anos, já é ele próprio quase um romance, o autor usou-o como “anzol” para o seu livro: “Toda a sua vida é uma aventura. Após o Brasil, segue-se a viagem a Cochim e a conquista que faz com 150 homens contra um exército de 50 mil do samorim de Calecute. Que mostra a sua bravura e inteligência em termos de estratégia militar.”

Para que o romance não fosse pouco mais do que a narrativa da viagem de Pacheco Pereira, Duarte Nuno Braga inclui a vida pessoal do navegador: “O livro não pretende ser um ensaio mas um romance histórico, onde se relata a relação com o rei, a mulher e D. Antónia de Albuquerque, com quem teve oito filhos.” Para dar mais picante, o autor introduz uma lenda, “a paixão vivida em Cochim com uma jovem local”.

Artigo original: http://www.dn.pt/artes/interior/primeiro-romance-e-a-corrigir-historia-dos-descobrimentos-5212341.html