New iN Town 30/05/2016

Duarte Pacheco Pereira: o navegador misterioso que descobriu o Brasil

duarte nuno braga luz del mar

É uma revelação controversa apresentada no livro “A Confissão do Navegador”, de Duarte Nuno Braga. A NiT entrevistou-o e tentou perceber porque é que andámos todos a aprender uma história errada.

Se na escola nos ensinaram que o descobridor do Brasil foi Pedro Álvares Cabral, o autor do livro “A Confissão do Navegador” (Editorial Presença, 15,90€) diz-nos que não é bem assim. “É que na frota de Álvares Cabral existia um tripulante chamado Duarte Pacheco Pereira”. No seu primeiro romance histórico, Duarte Nuno Braga conta-nos as aventuras daquele que considera ser o navegador português mais subvalorizado, Duarte Pacheco Pereira. No livro assistimos à aventura do navegador nas águas do Atlântico, depois de lhe ter sido confiada uma missão pelo rei D. João II.

Duarte Nuno Braga é natural de Lisboa e desde pequeno que gosta de escrever. Com 14 anos recebeu um prémio literário embora confesse que nunca imaginaria, na altura, vir a escrever um livro. A NiT entrevistou-o.

Afinal quem descobriu o Brasil?
Duarte Pacheco Pereira. Sabia que na frota de Cabral existia um tripulante chamado Duarte Pacheco?

Porquê o fascínio por Duarte Pacheco Pereira?
Era um homem de uma grande fé. Um navegador sem igual. Cosmógrafo. Pertenceu à guarda real de D. João II. Foi capitão-mor da Costa do Malabar. Foi governador de São Jorge da Mina. Segundo o mais importante biógrafo de Duarte Pacheco Pereira — o historiador Joaquim Barradas de Carvalho — o navegador português foi um génio comparável a Leonardo da Vinci. Com a antecipação de mais de dois séculos, Duarte Pacheco Pereira foi o responsável pelo cálculo do valor do grau de meridiano com uma margem de erro de apenas 4%. Recusou sempre receber quaisquer riquezas como mercê dos seus atos. Somente a glória do reino lhe interessava.

O que o levou a escrever sobre o descobrimento do Brasil?
Pareceu-me uma injustiça não ter sido dado crédito a um homem como Duarte Pacheco Pereira. Os seus feitos foram épicos. Estava na altura de alguém resgatar o seu incrível contributo para a glória e história do país.

Qual o seu episódio preferido da obra?
A conversa entre Duarte Pacheco Pereira e o seu filho Lisuarte, a bordo da nau que os traria de regresso a Lisboa, onde ambos se vêem confrontados com votos sagrados que juraram cumprir e que são completamente antagónicos. Infelizmente, só um pode cumprir o seu voto.

Camões descreveu Duarte Pacheco Pereira como “Aquiles lusitano”. Concorda com esta caracterização do navegador?
Foi a descrição mais justa que alguém lhe fez. Tomara que a história tivesse sido tão justa como foi o poeta.

Se tivesse de escolher entre embarcar numa viagem com Pedro Álvares Cabral ou Duarte Pacheco Pereira com quem preferia ir e porquê?
Desta vez iria com Cabral, porque já a fiz com Duarte Pacheco Pereira nestes últimos dois anos.

Ganhou um prémio literário com 14 anos. Pensou, nessa altura, que iria escrever um livro?
Honestamente, nunca imaginaria esse cenário naquela altura. Mas recordo-me de ter ficado muito orgulhoso com o prémio pois tive um prazer muito grande em escrever aquele manuscrito. Lamentavelmente, não dei a importância que deveria ter dado mas, se pensarmos bem, o que sabe um jovem com 14 anos acerca do seu futuro profissional?

Porque decidiu estudar Engenharia e seguir um caminho mais técnico e não tão artístico?
Costumo responder a essa pergunta, quase inevitável, de uma forma pragmática. Não tinha qualquer ligação às tecnologias durante a pré-adolescência. Por isso, respondo com a verdade singela. Achava uma vizinha muito gira e, sendo tímido, para ter oportunidade de ficar na mesma turma dela escolhi as mesma disciplinas opcionais, nomeadamente Electrotecnia. Ela mudou de escola e nunca mais a vi. Mas ganhei uma paixão pela electrónica. Até aos dias de hoje.

Onde fez a pesquisa e onde foi buscar a informação para escrever este “A Confissão do Navegador”?
Tudo começou com o regimento náutico “Esmeraldo de Situ Orbis”, escrito pelo próprio Duarte Pacheco Pereira. O navegador começou a sua escrita por volta de 1505 mas o documento só foi publicado 400 anos mais tarde. Consultei este e outros documentos de grande valor na Biblioteca Municipal de Cascais, que é excelente.

Quanto tempo demorou a redigir o livro?
Demorei cerca de um ano em pesquisas e estruturação e mais um ano na escrita e revisão.

Cristóvão Colombo e o misticismo à volta da sua nacionalidade. Em que ficamos?
Já li tantas versões diferentes que tenho algumas dúvidas mas não é taxativo que fosse genovês. Contudo, na perspectiva em que este romance é abordado, não encaixava um Colombo português.

Sabe se por acaso há uma relação de parentesco entre José Pacheco Pereira e Duarte Pacheco Pereira?
Curiosamente, já me foi referenciado por várias pessoas que são de facto parentes. Dado que não é possível confirmar com o Duarte, seria interessante questionar o José. (Risos)